1967, Beatles e o Sgtº Pepper’s

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1967, Beatles
 
 e o Sgtº Pepper’s
 
Albenísio Fonseca
Prévia de sonhos e pesadelos, 1967 é um marco histórico na contemporaneidade, por inúmeros fatos transcorridos. Israel vence em seis dias a guerra contra os países árabes. Che Guevara é assassinado pelo exército boliviano. O Brasil ganha uma nova Constituição. O primeiro parágrafo reza que todo poder emana do povo e em seu nome será exercido. O general Costa e Silva assume a presidência da República e o ex, Castelo Branco, morre em um suspeito acidente de avião.
 
“Alegria Alegria”, Caetano e Gil cantam o “Domingo no Parque” industrial. Compra-se e vende-se com uma nova moeda, o Cruzeiro Novo. As mulheres adotam a minissaia e o dr. Christian Barnard realiza o primeiro transplante de coração. Glauber Rocha revela as relações entre intelectuais, poder e povo em Terra em Transe. Gabriel García Márquez lança o clássico Cem Anos de Solidão. Plínio Marcos estréia sua federalíssima Navalha na Carne e Zé Celso Martinez Correa reinaugura o Teatro Oficina com o clássico O Rei da Vela, de Oswald de Andrade.
 
Esses fragmentos compunham o Brasil e o mundo no qual – há exatos 40 anos – os Beatles lançam o legendário Sgtº Pepper’s Lonely Hearts Club Band – álbum que  transformaria todo o universo do rock e da música pop. Era véspera da revolução cultural desencadeada pelos hippies no “verão do amor”. Não seria um ano somente de “Alegria, Alegria” para os Beatles: enquanto John Lennon, Ringo Starr e George Harrison desfrutavam da companhia do seu Maharishi, em Bangok, jazia morto por uma overdose “acidental” de drogas, em Londres, Brian Epstein, o empresário do grupo que pagara do próprio bolso a primeira gravação de uma demo dos Beatles. Paul McCartney cantava “quando tiver 64 anos”, idade que já ultrapassou.
 
Com arranjos inovadores, diversificado cardápio de canções, técnicas de gravação e concepção gráfica inéditas, o disco mudou os rumos do rock e fez com que os álbuns passassem a ser definitivamente o principal formato da produção musical, papel antes ocupado pelos singles.
 
A capa do LP, criada pelo artista Peter Blake, mostrava modelos de cartolina, em tamanho real, de cerca de 70 celebridades históricas, como Sigmund Freud, Karl Marx, Bob Dylan, James Dean, Marlon Brando, Oscar Wilde, a atriz Mae West, o Gordo e o Magro, entre outras, “posando” para um retrato atrás dos Beatles trajando fardas de guerra.
 
Sabe-se agora, Jesus e Gandhi foram excluídos. Lennon já havia indignado os católicos com sua máxima de que eram mais famosos que Cristo. O Mahatma sai na edição final. Hitler fica encoberto pelo baterista Ringo Star e pelo ‘Tarzan’ Johnny Weissmuller.
 
Álbum mais vendido da Grã-Bretranha, primeiro Grammy do rock, “Sgt. Pepper’s” foi eleito melhor disco de todos os tempos pela revista “Rolling Stone” em 2003.O trabalho na verdade consolida a tendência da Banda desde que se tornou “séria”, com Rubber Soul e Revolver. A gravação durou 129 dias. Custou US$ 75 mil. O Pink Floyd gravava seu primeiro disco no estúdio ao lado. Todo o revival agora promete o surgimento de novos fãs.


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