De Volta à Origem


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Mosaico criado por Charles Tsevis para artigo sobre Darwin, na Times


De volta à Origem

Albenísio Fonseca


Sob a incerteza dos tempos de agora. De volta à Origem. Das Espécies. 1859.
Contra o Anjo Caído das religiões e a imagem do hercúleo Atlas sobre
tartarugas a sustentar o planeta, o naturalista Charles Darwin publicava o resultado dos seus estudos na África, Austrália, América Latina, pelo Brasil e por Salvador inclusive, revelando que nós somos frutos de um processo seletivo natural.

Com sua Teoria da Evolução, Darwin nos lançaria à intempestiva constatação da origem comum. Deixávamos de ser o centro do universo: o homem, como os demais  seres vivos, é filho da Terra, oriundo da mesma célula embrionária que gerou todas as formas de vida neste planeta. A descoberta, polêmica desde então, derruba mitos e nos recoloca frente a frente com o velho dilema: “O que somos? A que nos destinamos?”. Ao mostrar como a vida evolui, CharlesDarwin dispensaria Deus da condição de criador. 

Nascido sob o signo das grandes revoluções – a francesa, a americana e a industrial – ao embarcar, com 23 anos, no Beagle, em 1831, em meio a uma expedição cartográfica, estava preparado como ninguém para o trabalho de pesquisa. A viagem duraria quatro anos. A paisagem infernal das ilhas Galápagos, ao final da viagem, tornara-se um paraíso para o obstinado caçador de besouros. Ali, teve a inspiração, tão decisiva quanto assustadora, da sua Teoria da Evolução. De volta à Inglaterra, debruçado sobre as 5.436 carcaças, peles e ossos colecionados ao longo da viagem no Beagle, concluiu que todas as espécies do mundo tinham passado por processos hereditários de adaptação.  

Na ilha, as mesmas aves com bicos ideais para quebrar nozes, ou pontiagudos para buscar comidas em frestas, permitiram-lhe a imaginação de terem se adaptado de algum modo. Sim: por um lento processo de seleção que levou gerações. Mesmo as asas dos pássaros, segundo Darwin, não nasceram prontas, mas fruto de uma mutação, “em conseqüência da natureza, da fome e da morte”, registraria no livro.  

Ora, os humanos, estipulou o atormentado inglês, não estávamos de fora. Nosso ancestral, um tipo parecido com os macacos foi desenvolvendo
cérebros cada vez maiores. Também esses “macacos” provinham de peixes
mutantes, nascidos com a capacidade de respirar fora da água, como sabemos hoje.

Defrontar-se com a certeza de que não éramos seres à “imagem e semelhança de Deus” levou-o a reter por 20 anos a publicação de sua ideia. Somente após a leitura de um artigo com uma teoria similar à da seleção natural, e o medo de ser passado para trás, o faria autorizar a edição. Sua tese, contudo, só viria a ser aceita no século 20, refinada por outros cientistas com base na genética.

Em 1930, uma nova revolução estava em curso, o neodarwinismo, com  detratores apenas nos círculos religiosos. Na sua partida do Brasil, anotou, “dou graças a Deus e espero nunca mais visitar um país de escravos…”. A propósito da sua teoria, a verdade é que continuamos pre-darwinistas, aliás, como nunca.

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