A odisséia do som


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A odisséia do som


Albenísio Fonseca

O
CD acaba de completar 25 anos. Dizem que com um corpinho de DVD, já com
10 anos de existência. Do mesmo modo que a fita magnética foi superada
pela tecnologia digital, ambos, também, parecem condenados pela
capacidade de armazenamento, maior facilidade de transporte e
multiplicidade de uso dos pen drives e i-pods.
O
CD revolucionou a indústria fonográfica, na década de 80, substituindo
em formato e qualidade aos LPs,  tecnologia de gravação e reprodução
que avançou para estéreo dez anos após seu lançamento, em 1948, como
disco de longa duração (Long-Play). Após Estados Unidos e França, o Brasil foi o terceiro país do mundo a adotá-lo.

Na odisséia do som, ao contrário dos sistemas de gravação, os aparelhos para reprodução tiveram desenvolvimento mais lento. As
juke-boxes (caixas de músicas movidas à moeda ou fichas) emergiram no
final da década de 20 e deram incentivo decisivo ao mercado fonográfico
que começava a produzir em grande escala discos de 78 rotações por
minuto (rpm). Com o rock e os vinís de 45 rpm, na década de 40,
surgiram modelos mais leves capazes de acondicionar mais de 200 discos,
com sistema Hi-Fi, de alta fidelidade, até o advento da vitrola e dos
LPs de 33 rpm.
O
surgimento do transístor não só substituiria as válvulas, mas
viabilizaria funções irrealizáveis por elas, alterando a
disponibilidade e o acesso a dispositivos, inclusive portáteis como
rádios e toca-discos, a partir dos anos 60. Impulsionada pela corrida
espacial e pela minituarização de componentes, a invenção do Chip, no
final dos anos 50, deu dimensões gigantescas às já enormes
possibilidades de criação, cópia ou reprodução de qualquer som – que o
sintetizador musical dispôs ao ser inventado nos anos 70 – e viabilizou
os computadores pessoais(PCs).
A
antiga aliança entre a ciência e a música trouxe mudanças
revolucionárias na performance, reprodução e divulgação desta arte em
todo o planeta. Agora, em plena era da digitalização total, pode pensar
em outros usos decorativos para a linda estante nova que comprou para
sua coleção de CDs e DVDs. Para acomodar sua futura e imensa discoteca
virtual (em mp3 ou mp4) traficada peer-to-peer (P2P), em i-pods ou pen
drives, e quiçá, muito em breve num chip incrustado no corpo, basta um
espaço vazio no meio do nada. Como dizia McLuhan: “Funciona? É
obsoleto”.
Engana-se
quem pensar que passaremos incólumes por tudo isto. No admirável mundo
novo da produção e reprodução sonora e imagética, toda esta revolução
não afeta apenas gravadoras, fabricantes de CDs, DVDs e a indústria do
plástico e das lentes óticas (a laser). Mas toda a indústria cultural,
no que tange a gráficas, designers de capas,
fotógrafos, ilustradores, autores dos textos dos encartes, lojas de
discos, distribuição, divulgação, cantores, compositores e direitos
autorais. Por fim, sob nova impostura comportamental, sem mais o prazer
visual de capas e encartes, afeta  diretamente a você, que se supõe
mero consumidor de música.
 —————————————-
Albenísio Fonseca, jornalista

albenisio@yahoo.com.br

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