O PIB e a nova conspiração


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O PIB e a nova
conspiração

 Albenísio Fonseca

Numa
razão inversa à tese de que a mídia tem atuado em suposta conspiração contra o
governo Lula, o jornalista Bernardo Kucinski, em artigo no site Carta Maior, acaba
de demonstrar que jornais e tevês foram levados de roldão sob os ditames do
release distribuído pelo Banco Central de que estaríamos a viver um esplendoroso
espetáculo de crescimento. E na unanimidade, mais burra que nunca, estamparam
um pretenso crescimento acelerado do PIB.

Ao
contrário do espírito triunfalista propagado, a série estatística trimestral, e
não a base de 12 meses convenientemente utilizada pelo Bacen, mostra a perda de
fôlego do crescimento do PIB trimestral a partir do ultimo trimestre do ano
passado. Alguns veículos chegaram a detectar o engodo, na sutil manipulação do método de divulgação dos percentuais, em
editorial. Mas a clareza da análise foi relegada ao segundo
plano nas manchetes das primeiras páginas.

É
verdade que o PIB está 5,4% acima do que estava há 12 meses e que continua se
expandindo, mas não procede que esteja havendo crescimento acelerado. O
crescimento está, isso sim, perdendo fôlego:
de 2,8% de expansão no terceiro trimestre do ano passado em relação ao
trimestre anterior, caiu para 1% no trimestre seguinte, para 0,9% no primeiro
trimestre deste ano e para apenas 0,8 % agora.

Nesse
ritmo, é crível que, mantida a curva dos últimos 12 meses, o provável é que
cresça apenas 0,7% no trimestre julho–setembro. Um embalo que nos levará a
menos de 3% para todo o ano. Um crescimento ínfimo, num cenário fortemente
expansivo da economia mundial. Toda a mídia empastelou-se no clamor
triunfalista. O mérito da identificação do descalabro é de Kucinski. Não 
será fácil  estabelecer se nos vemos envolvidos numa mera “bobeira” do
papel crítico dos "companheiros" jornalistas, ou se de fato
estaríamos a nos defrontar com – pasmem -uma conspiração pró-governo. 

Na
outra ponta, desde 31 de agosto está depositada no Congresso Nacional, sob a
silhueta de Renan Calheiros, a proposta do Orçamento Geral da União para 2008.
Na amarração de receita e de despesa, expansão de 11%, com o governo jogando
sobre a expectativa de um crescimento econômico de 5% e inflação de 4%, sob um
dólar médio de R$ 1,98.

Com
aumento acelerado da carga tributária, estipulada em 12%, vale destacar que os
gastos com funcionalismo crescerão 11%. O aumento das verbas será de 9% para
Saúde, 32% para Educação e 17% para o Bolsa Família. Neste último caso, a
singela coincidência de que os jovens com até 17 anos, títulos de eleitores à
mão, passam a ser absorvidos pelo programa.

O
reajuste do salário mínimo, a partir de primeiro de março, será de 7%. Passará
de R$ 380 para R$ 407, aumento de R$ 23 por mês ou de R$ 1 por dia trabalhado. Vamos
acreditar que o PAC, afinal, desempaque e “pague” um cenário mais confortável.

 
Albenísio
Fonseca, jornalista

albenisio@yahoo.com.br

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