Festival de Arte Negra

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Arte Negra,

entre a força e o charme

Albenísio Fonseca

Enquanto 150 entidades baianas, lideradas pelo Núcleo Cultural Niger Okan, fazem força para por o pé na África, e criaram, no final de março, o Comitê Baiano Pró-3ºFesman – Festival Mundial de Arte Negra/ 2009, a acontecer durante todo o mês de dezembro em Dacar, Senegal, o Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura, faz charme.  Mesmo com o MinC já  tendo delegado, em portaria, à Fundação Palmares a organização da delegação brasileira, nenhuma outra medida foi adotada, por esta e pela Secult, até então, para definir a representação brasileira, e baiana, em especial, no evento. O Brasil é o país convidado de honra desta terceira edição do Festival, a ser lançado oficialmente, em terras brasileiras, dia 25 de maio, em Salvador, com as presenças do presidente senagalês, Abdoulaye Wade,  e do  embaixador  do Senegal no Brasil, Fodé Seck.  O ministro da Cultura, Juca Ferreira, e o presidente da Fundação Palmares, Zulu Araújo, participaram, no início de março, da cerimônia de lançamento do 3 º Fesman, em Dacar. No evento, o escritor Abdias Nascimento foi condecorado pelo presidente do Senegal com o diploma de “Embaixador de Boa Vontade do Fesman”. O presidente Abdoulaye externou, inclusive, o desejo de proferir palestra para empresários brasileiros, sobre as possibilidades de intensificar o comércio bilateral.

Patrimônio da humanidade, desde 1978, a ilha de Gorée naquele país, foi um entreposto de escravos, de onde negros africanos eram confinados antes de serem enviados em navios para o Brasil. O Senegal foi libertado do domínio francês em 4 de abril de 1960, sob a liderança do poeta Leopold Senghor, falecido em 2001. 

O governo do Senegal mobiliza uma grande estrutura para sediar o encontro, com espaço de 40 mil m², em Dacar, onde são construídos palcos e salas para apresentações dos espetáculos culturais. Serão erguidas, ainda, cerca de mil tendas para abrigar os cinco mil artistas convidados. Novos prédios são construídos e outros reformados, além do treinamento de oito mil técnicos senegalenses para trabalharem na infra-estrutura do festival.

Os organizadores prevêem a participação de 50 mil convidados estrangeiros, além do envolvimento de um público local estimado em um milhão de pessoas. Para a cerimônia de abertura do Festival se espera a presença de 400 mil pessoas.

O Fesman tem sido um momento relevante para performance e reflexão sobre a contribuição da cultura e estética negra no mundo – tão fundamentais quanto a grega –  e a cerca da resistência à violação dos direitos civis na África e nos países da diáspora. O que artistas e representantes de entidades da sociedade civil defendem, em Salvador,  é a transparência democrática nos critérios de seleção e dotação orçamentária para a participação da delegação brasileira no grandioso evento. Correspondência neste sentido, ainda sem resposta, já foi encaminhada pelo comitê baiano à Fundação Palmares.  

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Albenísio Fonseca, jornalista

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