E-leiç@o 2010 e Socialismo 2.0

E-leiç@o 2010 

e Socialismo 2.0

Albenísio Fonseca

Neste domingo, dia 3 de outubro, 135,8 milhões de brasileiros vão às urnas para escolher o novo presidente da República, 27 governadores, 54 senadores, 513 deputados federais e 1.059 deputados estaduais ou distritais. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estima o custo total das eleições de 2010 – primeiro e segundo turnos em todo o país – em R$ 480 milhões. O Orçamento federal previsto para o pleito era de R$ 549 milhões.

O montante médio dispendido por eleitor é de R$ 3,56 reais, o menor já investido em eleições gerais. Em 2002, o gasto total foi de R$ 495 milhões, e cada eleitor custou R$4,31. Em 2006, o custo por eleitor foi de R$ 2,58, para um gasto total de R$ 450 milhões.

A entrega de lanches e o pagamento de R$ 20 a cada um dos 2,1 milhões de mesários tem um custo de R$124, considerando a realização de segundo turno. O transporte das 477 mil urnas para os locais de votação dispenderá R$ 35 milhões, já a campanha de esclarecimento aos eleitores na TV, no rádio e na internet, de acordo com o TSE, custou R$ 4 milhões.

Os gastos envolvem ainda a transmissão via satélite das votações de urnas em locais distantes, modernização do sistema de identificação de eleitores – o leitor biométrico – além da aquisição ou manutenção das urnas.

Com a crescente adoção das redes sociais, na Internet, muitos candidatos conseguiram não só ampliar votos, mas dispor da ação multiplicadora de internautas, principalmente no Facebook e Orkut, enquanto o Twitter, do mesmo modo, proporcionou repercussão de denúncias, visibilidade para candidaturas e links para sites de campanhas, além de ações conjuntas, os tuitaços. Todos, contudo, tendo que enfrentar o bloqueio adotado por grande número de adeptos das redes sociais, somando-se à apatia total do eleitorado.

O fato novo que se vislumbra é que, sem a necessidade de voltar a debruçar-se sobre o velho Karl Marx, criador da mais influente utopia político-econômica que moldou as relações sociais do século XX, a Internet consolidou o antigo sonho do Socialismo. Mas refiro-me ao “Socialismo 2.0”. A tese, com base no colaboracionismo instaurado na rede mundial de computadores, foi criada pelo pensador e escritor norte-americano Kevin Kelly, especialista em tecnologia. Para ele, o desenvolvimento de sites colaboracionistas, como a Wikipédia, entre milhares de outros, sugerem um movimento constante em direção a uma espécie de socialismo excepcionalmente atento para um mundo conectado.

Presume-se que os partidos ditos de esquerda, sem maiores lutas sangrentas pela tomada do poder, e sem o horizonte de replicar regimes comunistas a partir de modelos como os da ex-União Soviética, da própria Rússia, China, Cuba, Vietnã, Nicarágua ou Albânia, tenham encontrado, finalmente, na Internet, a grande pátria do Socialismo, mas em sua versão digital.

Já o embate ideológico nessa campanha consistiu no posicionamento de setores da mídia convencional, evidenciado em mera preferência por determinada candidatura – a de José Serra (PSDB-DEM) em detrimento da de Dilma Roussef (PT-PMDB) – e contrária ao governo Lula. Sem propostas, exceto as apresentadas por Marina Silva (PV), as campanhas à presidência da República transcorreram em clima de frustração pós-Copa do Mundo, nessa nossa política de embananamentos futebolares.

No mais, vale lembrar que a história do voto no Brasil começou 32 anos após Cabral ter desembarcado nestas terras. No dia 23 de janeiro de 1532 os moradores da primeira vila fundada na colônia portuguesa – São Vicente, em São Paulo – foram às urnas para eleger o Conselho Municipal.

A votação foi indireta: o povo elegeu seis representantes, que, em seguida, escolheram os oficiais do conselho. Era proibida a presença de autoridades do Reino nos locais de votação, para evitar que os eleitores fossem intimidados.

Somente em 1821 as pessoas deixaram de votar apenas em âmbito municipal. Na falta de uma lei eleitoral nacional, foram observados dispositivos da Constituição Espanhola para eleger 72 representantes junto à corte portuguesa.

Os eleitores eram os homens livres e, diferentemente de outras épocas da história do Brasil, os analfabetos também podiam votar. Os partidos políticos não existiam e o voto não era secreto. Agora, vamos às urnas e aos resultados que a apuração também é eletrônica.

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Albenísio Fonseca é jornalista
albenisio@yahoo.com.br

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1 comentário (+adicionar seu?)

  1. Tê Barretto
    out 02, 2010 @ 15:43:00

    Excelente artigo. Me parece que há, por parte dos partidos políticos, mesmo (e sobretudo) àqueles que alimentam o sonho e a ‘prática’ socialista, necessidade de (re)aprender esta interlocução. Comunicação 2.0 ou Socialismo 2.0 não se faz por uma via e, menos ainda, por mediadores. Se faz com discursos e propostas bem plantadas na rede, conversas e respostas consistentes, contínuas, coerentes. Que não se perca de vista que as ferramentas na rede são mero suportes – ágeis, rápidos, de efeito multiplicador, é fato – mas suportes dos candidatos e dos partidos como eles se mostram nas ruas. E o eleitor sabe disso.

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