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TV digital, revolução

na plataforma

 Albenísio Fonseca

A implantação da TV digital interativa no Brasil (e na América Latina) vem sendo restringida à ideia de que essa nova multiplataforma tecnológica envolve apenas alta definição na qualidade da imagem e do som – como tem sido vendida por atacado e no varejo. Aliás, há ênfase, também, na criação de serviços comerciais (ou t-commerce), contemplando “novidades” que incrementarão lucros a iniciativas, antes restritas aos detentores das concessões de TV, em serviços interativos como previsão do tempo, resultados de jogos, pay-per-view.
Há disponibilidade, ainda, para t-banking (serviços bancários) e t-gov (interatividade entre governo e população nas áreas tributária, educacional, cultural e de serviços públicos), além da recepção e transmissão de e-mails.Mais influente meio de comunicação no Brasil, presente em 90% dos lares, a TV (analógica) sofrerá um imensurável impacto no modo passivo como nos comportamos ao assistir aos programas.
A TV digital, sob padrão nipo-brasileiro, decorre de adaptações promovidas, desde 1994, por pesquisadores em universidades brasileiras. Foi inaugurada em São Paulo, em 2.12.2007, pelo presidente Lula: “Uma TV gratuita e aberta tem que preservar a inclusão social”. Sim, a inclusão social agora propulsionada pela inclusão digital, e em caráter Hybridcast, combinando transmissão broadcast e aplicativos para Web das “TVs conectadas” (ou smart TVs) integrando e sincronizando conteúdos broadcast com os da banda larga.
A propósito, fabricantes de aparelhos de TV digital andam em polvorosa com a consulta pública promovida pelos ministérios da Ciência e Tecnologia e da Indústria e Comércio sobre as regras de fabricação da TV digital, obrigando a instalação do Ginga, o middleware nacional, uma tecnologia em softwares, coração da interatividade.
Mas há, também, outro viés em cena, embora fora do foco do tele senso comum, com a recém sancionada Lei nº 12.485, que unifica as legislações das TVs por assinatura, as transmitidas através de sinais codificados por diferentes tecnologias, isto é: a cabo (TVC), por satélite (DTH) e em microondas (MMDS). A nova lei libera a participação do capital estrangeiro, limitando-o apenas nos sistemas a cabo (em 49%), sob a justificativa de “estímulo à competição e oferta de novas opções de conteúdo audiovisual de qualidade e melhores serviços, por menores preços”, sem maiores proteções ao capital e à indústria audiovisual nacional. E é claro que a TV paga compreende um mercado nada desprezível. Em 2010 o faturamento bruto contabilizou R$ 1,011 bi. Dados da Anatel sinalizam que em agosto de 2011 a TV paga já alcançava cerca de 11,6 milhões de domicílios, correspondentes a 38,3 milhões de brasileiros, ou 20% da população.
O certo é que somente com a expansão da cultura digital brasileira contaremos com novos agentes que, além de consumidores de informação, tornem-se geradores de conhecimento, alimentando o sistema e tornando-se parceiros do desenvolvimento intelectual e cultural do País. A TV digital interativa, já em 3D, é um novo e revolucionário universo, seja como suporte para convergência de outras mídias digitais – Internet e mídias móveis – seja na adoção da multiprogramação, onde hoje se transmite apenas uma de forma linear.  A inserção da hipermídia proporcionará sua conversão em meio emissor a provocar reflexão, participação, interatividade.
Muito mais que ter à mão um controle remoto – como um bumerangue – teremos a possibilidade de emissoras não só para operadores privados e estatais, mas (geridas coletivamente) por sindicatos, associações, ONGs, movimentos sociais, a consolidar esta nova galáxia plurinformativa em extraordinário mercado para novos negócios, produção (e consumo) de conteúdo, na busca de um cenário onde reine “a mais avançada das mais avançadas das tecnologias”.
Na expectativa de que as emissoras ofertem programações interativas de qualidade, saliente-se que as técnicas não têm sentido em si mesmas, dependem do uso que façamos delas. Quanto à nova legislação, o critério fundamental para sua avaliação deve ser o quanto ela possibilita de ampliação da participação de mais e diferentes vozes no debate público.
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Albenísio Fonseca é jornalista
albenisio@yahoo.com.br
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  1. Trackback: Apagão analógico | Blog de Albenisio

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