Mercado de Itapuã

Foto: Albenísio FonsecafotoRaimundo Bujão, da Frente Comunitária de Itapuã, revelou que o mercado está sobre um lençol freático

João Leão contraria avaliação

da Codesal e promete

reabrir Mercado de Itapuã

Albenísio Fonseca

Durante encontro com permissionários do Mercado Municipal de Itapoã, representantes da comunidade e os vereadores Aladilce Souza (PCdoB) e Moisés Rocha (PT), na manhã desta sexta-feira (02.03), o chefe da Casa Civil da Prefeitura de Salvador, João Leão, prometeu aos permissionários do Mercado Municipal de Itapuã – que teve uma laje despencada na última terça-feira, atingido gravemente quatro pessoas – uma reforma parcial no equipamento e reabertura já nesta segunda-feira. “Ele ordenou que os comerciantes dos boxes da área a ser reformada dividam espaço com os dos boxes que estariam sob condições seguras” de trabalho, conforme a comerciante Quênia Rocha, do restaurante Boa Esperança.
Uma mera reforma e a reabertura do mercado contrariam avaliações da Coordenação de Defesa Civil (Codesal), cujo representante presente ao encontro chegou a defender, junto ao próprio João Leão, a necessidade da demolição de toda a estrutura de pré moldados, fruto de projeto do arquiteto Lelé Filgueiras.  O chefe da Casa Civil, contudo, rechaçou a avaliação técnica.
A divergência foi gravada por cinegrafista que documentava o evento, ao qual Leão solicitou, em seguida, que desligasse a Câmera. Na avaliação do técnico, “caso semelhante ocorreu na Boca do Rio e o reparo não deu certo”. À intenção de Leão de “construir uma arcada” no local desabado, o técnico assegurou que “qualquer reforma que implique em pressão sobre as demais vigas e lajes de concreto, cujos vergalhões também estariam corroídos pela ação do salitre, levará a novos desabamentos”.
Inaugurado em 1990, o mercado teve questionada na Justiça a reforma efetuada em 2008 , mas a ação foi arquivada. De forma surpreendente, João Leão disse “não estar ali representando a Casa Civil, mas em caráter pessoal”. O posicionamento foi questionado pela vereadora Aladilce Souza. Segundo ela, por mais que houvesse a disposição de solidariedade com os comerciantes, as vítimas do desabamento e familiares, os representantes do Executivo não poderiam se eximir da responsabilidade pela manutenção do equipamento público. Aladilce defendeu, inclusive, que o poder público “assuma os encargos referentes aos dispêndios com os tratamentos médicos cabíveis” aos vitimados pelo desabamento da laje.
Representante da Frente Comunitária e Parlamentar Mista em Defesa de Itapuã, o filósofo Raimundo Bujão, defendeu a “demolição do mercado e a construção de um novo equipamento, compatível com a importância do bairro”. Bujão revelou que o mercado foi edificado sobre um lençol freático, o que tem acarretado permanentes inundações durante os períodos de chuva. Ele apontou também o “curto prazo de validade desse tipo de edificação”, que requer manutenção constante. Já o ouvidor da Prefeitura, Waldenor Cardoso, defendeu o “caráter pessoal” da presença de João Leão no encontro, “por não ser pertinente à sua pasta”, e criticou a “ausência de representantes do Estado”, ao qual, também surpreendentemente, imputou “responsabilidade pela manutenção do equipamento”.
O encontro, ocorrido em área do próprio mercado sob interdição, foi provocado após a ida de permissionários à Casa Civil na quinta-feira, 48 horas após o desabamento da laje, em razão de nenhuma autoridade pública ter comparecido ao local, exceto técnicos da Codesal que interditaram o acesso ao equipamento. Familiares das vitimas queixaram-se da falta de solidariedade dos representantes da Prefeitura. Impedidos de comercializar, alguns permissionários dos boxes do mercado comemoraram com fogos de artifício, logo após o término da reunião, o anúncio do chefe da Casa Civil de entrega do equipamento já na próxima segunda-feira.
Os vereadores Aladilce Souza e Moisés Rocha revelaram estar convocando uma audiência pública, a ser realizada na próxima semana em espaço da comunidade, no próprio bairro. A vereadora adiantou que encaminhará ofício ao Conselho Regional de Engenharia (CREA), através da Comissão de Planejamento da Câmara, para que proceda uma avaliação sobre as reais condições da infra estrutura do mercado municipal.
O desabamento da laje ocorreu por volta das 13h30 de terça-feira (28). Com perfuração do crânio, a adolescente Alice Francine Santos Furmanek, 13, vítima mais grave do desabamento, permanece internada na UTI do Hospital Geral do Estado.
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