Nova concepção de museu

A ministra da Cultura, Martha Suplicy, durante visita ao Muncab, acompanhada por José Carlos Capinan 

Muncab, uma nova

concepção de museu

Albenísio Fonseca

Uma nova concepção na atuação dos museus vem sendo adotada, já há alguns anos, tanto no Brasil quanto em diversos países.  Dentre as intervenções propostas, destaque-se a que propõe “demolir” a ideia de divisão do mundo da cultura em camadas, assim como a oposição abrupta entre o tradicional e o moderno, o culto, o popular e o massivo. Os museus passam por significativo processo de transformação oriundo de diversos fatores, entre eles, a concorrência com outros equipamentos culturais. As grandes transformações em curso nos museus refletem elementos das novas demandas sociais decorrente, dentre outras, da grande presença das tecnologias comunicacionais no cotidiano.

As novas tecnologias de comunicação revolucionam nosso cotidiano e impõem aos museus a aplicação de um discurso de imagens, sons, luz e cores. A necessidade de novas posturas na concepção de museu, mais dialogadas, representa um desafio de criação e de ousadia na construção de novos espaços de aprendizagem, sejam formais, não-formais ou informais. Os museus, ainda que em complementaridade aos espaços formais de ensino, promovem hoje uma aprendizagem social do conhecimento. Exatamente pelo fato de o museu não ser a sala de aula, ele requer olhares, novos ou velhos, de pesquisa sobre as práticas educativas que pode propor. Enquanto local de patrimônio, de coleções de objetos, de artefatos e instância de comunicação, os museus devem converter-se, também, em local de lazer, de prazer, de sedução, de encantamento, de reflexão e busca de conhecimentos.

Em oposição à instituição elitista e estática que se estendeu desde o século XVII, o novo museu deve abrir suas portas ao público e conquistar a rua e todos os espaços sociais de encontro e trocas de conhecimento. O museu deixa de ser um “mero” local de memória para se tornar referência na paisagem e no convívio urbanos, com oferta de atrativos que proporcionam interação e mobilidade, visando, com isto, não só atrair e ampliar público, quanto fidelizar a presença desse público nos espaços e eventos programados.

O Museu Nacional da Cultura Afro-brasileira torna-se, portanto, um local que, ao construir e consolidar sua identidade com autonomia, não apenas guarda sua vocação acadêmica, mas institui um ambiente educativo informal, com prestação de serviços culturais e de lazer aos cidadãos de diferentes horizontes culturais.

Além da educação patrimonial e suas vinculações com manifestações histórico-culturais de matriz afro-brasileira, o novo museu se propõe a viabilizar funções sociais, por si só interativas, em intercâmbio com outras linguagens, disponibilizando espaços para promoção de espetáculos musicais, cênicos e de dança, seminários, lançamentos literários, além da oferta de cursos, sem abdicar do caráter expositor e com um lounge para a oferta de Café e lanches ou petiscos típicos da culinária afro-brasileira. Promoverá, desse modo, o acesso e a interação na convergência de encontros e saberes em um universo aberto para a degustação de sabores e transito do passado, do presente e do futuro.

Em meio à nova concepção dos espaços internos e externos do museu, em desenvolvimento neste período de mutações e rupturas, o projeto para este nova década do milênio se define na valorização do multiculturalismo, das múltiplas inteligências e conhecimentos. O novo “estatuto” do Muncab, portanto, passa a conferir significado aos encontros de olhares e busca de experiências sensíveis entre e para o seu público, deixando a definição do atributo singular para converter-se em um território plural, em suma, um complexo de demanda e construção cultural.

Ao considerarmos a dimensão de Salvador – enquanto capital brasileira com maior contingente populacional negro fora da África – é importante destacar a existência de outros atrativos culturais de caráter étnico na cidade, concorrentes por estas demandas de público, local e turístico, em transito. Para fazer frente a esta concorrência, torna-se imprescindível estabelecer uma agenda positiva que viabilize programações dinâmicas, com eventos capazes de sensibilizar o interesse e a proporcionar fórum de debates.

Entre as ações capazes de consolidar este modelo deve-se vislumbrar programação de filmes tendo o negro como protagonista; espetáculos de Dança, com a presença dos inúmeros grupos existentes na cidade e cuja maioria de integrantes é negra; peças teatrais, sem custo de pauta, para espetáculos que priorizem aspectos da cultura negra. Musicais: shows de grupos com viés étnico, bate-papo musical, exposição de instrumentos musicais de origem negra; cursos sobre a história da cidade e o caráter antropológico da sua composição étnica.

Ressalte-se, além do mais, a permanente exposição do acervo do Muncab e a promoção de cursos, oficinas e mostras de artes visuais, de artesanatos, instrumentos musicais, entre outros passíveis de convênio. Vale mencionar, ainda, o propósito de estimular a criatividade, sensibilidade e percepção sonoro-musical, com a promoção de cursos para confecção e toque de instrumentos de percussão (inclusive com materiais reciclados), promovendo a inserção social de jovens moradores do Centro Antigo e de outros bairros de Salvador.

A localização estratégica do Museu Nacional da Cultura Afro Brasileira possibilita, de modo peculiar, a facilidade para a atração de turistas em visita ao Centro Histórico de Salvador e considera o crescente número de desembarques na cidade com a ampliação da capacidade do porto e frente às realizações da 20ª Copa do Mundo de Futebol. Nesse sentido, viabilizamos a produção e distribuição de prospectos contendo informações sobre o espaço, acervo, programações e mapa localizador.

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