Rock’n’roll faz 50 anos na Bahia

 

Waldir Serrão e Os Jorman’s durante apresentação
50 anos na Bahia
O rock’n’roll invade a cena 
 
ALBENÍSIO FONSECA
O rock acontece na Bahia bem antes dos Beatles. Com Elvis Presley. Em 1965, todos os domingos pela manhã no Cine Roma, Waldir Serrão invade a cena badalando o som na Rádio Cultura. Começam a surgir bandas de rock, os conjuntos de iê iê iê (fenômeno ocorrido apenas no Brasil e que se apropria do refrão de “She Loves you”, dos Beatles). Serrão atribui a ele o uso inicial, em Salvador, de expressões como “banda” e “pauleira total”.

Entre os inúmeros conjuntos (que era o termo usual para designar as bandas), destacam-se: Waldir Serrão e seus Cometas (grupo de cover dublado), Raulzito e seus Panteras, The Gentleman,  (com Pepeu e os irmãos Jorginho e Carlinhos), Eles 4, 5 Loucos, The Jormans, The Jetsons, Brasa Bossa, Dedos de Ouro, Os Selvagens, Os Desafinados, MJ6. Apresentavam-se em bailes, nos diversos clubes sociais da cidade (Estância Campomar, Piatã Clube, Português, Baiano de Tênis, Associação Atlética da Bahia), também no Cinema Roma e em programas da TV Itapoan, produzidos por Domitila Garrido e Cid Seixas.

Só para Brotos. 1965. Aumente o rádio. Idealizado por Newton Moura Costa e apresentado por Waldir Serrão (que cedia os discos) o programava contava, também, com Jayme Fahel, Almir Duarte, Diniz Oliveira. “Entre 59 e 62 o que tocava era Elvis Presley, Cely Campelo, Neil Sedaka, Paul Anka, Little Richard, Carlos Gonzaga, Demétrius, Sergio Murilo, Ronny Cord”, recorda Waldir Serrão. Da origem, nos Estados Unidos, o rock’n’roll já comemora 60 anos de estrada.

“O programa funcionava com entrevistas, cartas, telefonemas”, explica Serrão. Com a explosão dos Beatles e da Jovem Guarda aconteceram muitos shows no Ginásio Antonio Balbino, o Balbininho. “O Big Boy é que me deu o toque para fazer um programa igual ao dele na Rádio Mundial, no Rio de Janeiro. Muito Elvis e Beatles, era a receita”, conta.

1966. Acontece o boom total, a Guaraná Platense promove shows de Roberto Carlos, Elis Regina, Zimbo Trio, Cauby Peixoto, Angela Maria, Wanderléa, Jair Rodrigues. O palco era sobre um caminhão, no estádio da Fonte Nova.

1967. Aos sábados, Elias Sobrinho comandava o “Sabatinas da Alegria”, programa com shows promovidos por Edmundo Viana e Waldir Serrão (Big Ben e a banda Bigbendes, desde então) no Cine Nazaré, com auditório lotado e transmissão ao vivo, pela TV Itapoan. Ao lado da cena rock, havia, ainda, a presença dos sambistas acontecendo simultaneamente: Tom e Dito, Antonio Carlos e Jocafi, Berimbau, Riachão, o maestro Carlos Lacerda. Era efervescente o cenário musical da cidade à época.

O Som do Big Ben passou para a Rádio Bahia, onde permaneceu por cinco anos. Depois na Tv Itapoan, rádios Sociedade, Excelsior, Cultura, Clube. E existiam também os fãs clubes: Elvis Rock Club, na Boa Viagem, onde se ensinava a dançar rock e twisty; Elvis Today Fã-clube; Imperial Rock Clube, na rua Saldanha da Gama.
São nomes marcantes desse período, ainda, as estrelas do iê iê iê: Jerry Adriani, Wanderley Cardoso, Os Vips, Leno e Lilian, Renato e seus Blue Caps, Golden Boys, todos em apresentações concorridas no Balbininho. Os superstars se hospedavam no Palace hotel e os fãs paravam a Rua Chile. Há que se mencionar, também, David Barauh, Plínio, irmão de Raul, Thildo Gama, Gino Frei, Bartilloti e Nilton Papaum, o primeiro beatnik baiano; Os Mustangs, Edy Star. Dos anos 70, emergem: Mar Revolto, Creme, 19º Colapso Nervoso, Pulsa, Armazens Gerais…Com um histórico repleto de nomes de peso nacional, a produção roqueira baiana não pararia mais: de Raul Seixas a Pitty, passando por Novos Baianos, Camisa de Vênus, Cabo de Guerra, Maria Bacana e Penélope, entre tantos outros. Era (e continua sendo) apenas rock’n’roll, mas todos gostam.

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7 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Mauricio Almeida
    jan 02, 2015 @ 10:02:48

    Texto descrito errado, certo seria: “Waldir Serrão e Os Jormans”

    Responder

    • Albenisio
      jan 02, 2015 @ 14:22:54

      Caro Maurício,

      Obrigado pelo comentário, mas a referência que você faz é a propósito da legenda na foto que ilustra o texto. Esclareço que a foto foi capturada da Internet e com a legenda já embutida na imagem. De todo modo, grato pela informação.

      Albenísio.

      Responder

  2. waldir Alberto de Souza
    jan 02, 2015 @ 19:47:23

    Albenisio para seu conhecimewnto porque vivi a época e participei tocando bateria com Os Mustangs, Edy Star e Waldir Serrão (Eu, Babau, Veleu, Tildo Gama formava a Banda Bigbendes), depois vieram outros como Pulsa , Armazens Gerais, 19º Colapso Nervoso (EU, Gildinho, Marinho, Lino Neto, Hermogenes/Hasf e Paulinho Agogo. Os Shows em cima dos caminhões eram na Fonte Nova e não no Campo Grande conforme mencionado.
    Meu amigo não nasci a dez mil anos atrás, mas sei de grande parte da história do Rock na Bahia, pretendo ainda escrever um livro sobre isso e gostaria de contar com você para me ajudar, posso ter esperança.

    Responder

    • ABDON BARRETTO FILHO ( Babau)
      ago 26, 2017 @ 02:46:41

      Prezados,
      Atualmente estou residindo no Rio Grande do Sul e tenho interesse nas fotos do Programa da TV Itapoan: Poder Jovem e O Som do Big Ben.
      Meu amigo Thildo Gama morreu e soube que o Waldyr Serrão está doente
      Aguardo retorno

      Responder

      • waldir alberto de souza
        set 15, 2017 @ 19:47:40

        Grande Babau aqui quem fala é Waldir Alberto, quantas histórias tivemos juntos na época do show do Big Ben. Informo que Além de Tildo Gama, também já se foi Veleu Cerqueira que tocava Sax com agente naqueles bons tempos. Infelizmente não sei como conseguir imagens da TV Itapoan e do Poder Jovem, vou procurar alguém que possa nos ajudar. Forte abraço, continuo morando em Salvador.

  3. Álvaro Assmar
    jan 06, 2015 @ 20:53:45

    Caro Albenizio! Antes da minha carreira solo, fiz parte do grupo de progressive rock CABO DE GUERRA entre 1985 e 1992. O grupo lançou um compacto simples e um LP em 1992. Após o show de lançamento já estava acertado que eu deixaria o grupo para seguir com o grupo BLUES ANÔNIMO, primeira manifestação do blues na Bahia. Integrei o blues anônimo ao lado do baixista OCTÁVIO AMÉRICO e do baterista RAUL CARLOS GOMES. O Blues Anônimo existiu entre 1988 e 1993. A partir daí, segui em carreira solo lançando o primeiro álbum em 1995 intitulado “STANDARDS”. O resto, todo mundo já sabe! Este ano de 2015, completo 30 anos de carreira profissional como músico! Um grande abraço! Yeah!

    Responder

  4. waldir Alberto de Souza
    fev 13, 2015 @ 15:30:37

    Agora sim foi corrigido alguma coisa, preciso lhe encontrar para começar a pensar na escrita do livro sobre Rock na Bahia.

    Responder

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