Lula, o Rei da Bélgica e a primeira universidade do Brasil

                                                                                                            Fotos: Ricardo Stuckert
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Lula falou sobre a trama que envolveu a criação da primeira universidade no Brasil 
Albenísio Fonseca

A propósito do brilhante e enfático discurso de Lula, no Estádio de Pituaçu, dentro da programação do Fórum Social Mundial, em 15 de março de 2018, vale destacar a referência que fez à criação da primeira Universidade no Brasil.

Após defender o fato de ter sido o mandatário que mais fundou universidades e Institutos de Ensino Técnico no país, ele mencionou, cronologicamente, os dados históricos sobre a “criação, em 1538, da Universidade de São Domingos, historicamente a primeira universidade das Américas” e que “em seguida vieram as de San Marcos, no Peru (1551), México (1553), Bogotá (1662), Cuzco (1692), Havana (1728) e Santiago (1738)”. Luiz Inácio Lula da Silva trouxe, então, uma informação pouco conhecida pelos brasileiros.
“A primeira universidade criada formalmente, no Brasil, não visou contemplar a produção de conhecimento ou o desenvolvimento do povo”, salientou. Ele narrou o ocorrido, “somente em 1921, quando o rei Alberto I da Bélgica visitou o Brasil. Naquele momento, algumas autoridades políticas e educacionais propuseram conceder ao monarca belga o título de Doutor Honoris Causa e descobriram que somente uma universidade poderia conceder tal título”, ilustraria.
O ex-presidente contou que “a Universidade do Rio de Janeiro foi, então, fundada às pressas, através da agregação da Escola Politécnica do Rio, da Escola de Medicina da Bahia e da Faculdade de Direito de Recife. A “Universidade do Rio de Janeiro, depois de ter concedido o título ao rei da Bélgica, extinguiu-se e as respectivas escolas de nível superior continuaram a funcionar isoladamente, enfatizou.
32° título, da Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL), em Arapiraca

Em 2011, Lula recebia o primeiro

de seus 35 títulos honoris causa

Em 28 de janeiro de 2011 o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebia seu primeiro título de doutor honoris causa. A homenagem, da Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais,  lhe havia sido oferecida em dezembro de 2003, mas Lula decidiu que não aceitaria nenhum título enquanto ocupasse a Presidência da República.

Lula foi escolhido como paraninfo dos formandos daquele ano e recebeu o título durante a cerimônia de colação de grau da UFV. O ex-presidente foi homenageado “em reconhecimento por sua permanente luta em defesa das causas sociais brasileiras”. Durante seus dois mandatos, Lula criou 14 universidades federais, levando dezenas de campi ao interior do país. Graças a suas políticas educacionais como Prouni e Fies, o filho do pedreiro passou a poder ser doutor. O número de universitários passou de 3,5 milhões em 2002 para 6,8 milhões ao final do governo Lula. Cumprindo sua promessa de campanha, afastou a fome do dia-a-dia de milhões de brasileiros e, com o Bolsa Família, tirou 36 milhões de pessoas da extrema pobreza.

“A vida não me deu a oportunidade de entrar na universidade como aluno, mas posso dizer que fui abençoado com a chance de resgatar a dignidade da universidade brasileira como presidente da República. Por isso, hoje me sinto em casa na casa de vocês. Sou, mais do que nunca, um homem apaixonado pelo potencial libertador que a educação promove em todo o mundo.”

O primeiro diploma de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Viçosa (MG)

Lembrando o preconceito que sempre sofreu por não ter diploma universitário, Lula não escondeu o orgulho pela homenagem: “Vocês não imaginam o que vai acontecer neste mundo agora, quando as pessoas olharem para mim com desdém, porque eu não tenho diploma universitário, e eu vou mostrar a foto, vestido como doutor honoris causa de Viçosa”, disse em seu discurso.

35 títulos recebidos, 71 outorgados

Lula já recebeu título honoris causa da da Universidad Mayor de San Marcos, no Peru, a mais antiga das Américas; da Universidade Federal do ABC em São Paulo; da  Universidade de Coimbra, em Portugal; da Universidade Federal de Pernambuco, da Politécnica de Lausanne, na Suíça; da Universidade Federal do Rio de Janeiro; pela Sciences-Po, de Paris; Universidad de La Plata na Argentina; da Universidade de Salamanca na Espanha, pela Universidad Andina Simón Bolívar do Equador; entre outras instituições nacionais e internacionais. E ainda tem outros 36 títulos concedidos a receber.

Em maio de 2017, ao receber títulos de oito universidades da Argentina, Lula sintetizou o sentimento de orgulho que o Brasil inspirava no mundo. “Eu recebo esses diplomas com muito orgulho, porque sei que eles também reconhecem o lugar que o Brasil conquistou no mundo durante essa última década. Conquistamos um lugar que merecemos e também recuperamos nossa autoestima. Sentimos orgulho da nossa própria pátria, daquilo que somos e daquilo que podemos nos tornar”.

Em setembro do ano passado, após ser encarcerado injustamente e sem provas, Lula recebeu em cerimônia solene na Universidad Nacional del Comahue, na Argentina, seu 35º título de doutor honoris causa, se tornando um dos brasileiros com mais honrarias na história do país.

Diante de tamanho reconhecimento – nacional e internacional – e com sua prisão política, fica patente a quais setores da sociedade interessa calar um dos brasileiros mais admirados de nossa história.

Carnavalização da economia

                                                                                                                                                                    Imagem relacionadaEm R$ 841, renda domiciliar per capita na Bahia se distanciou bastante da média nacional, em R$ 1.268
(Foto: Visão Cidade)

Resultados da PNAD na 

Bahia são de estarrecer

Albenísio Fonseca

Em meio à economia carnavalizada, ápice da mobilização por um faturamento por parte de famílias de baixa renda, entre outros grandes eventos da temporada de Verão e simultâneo ao anúncio de mais um irrisório PIB, em 1,1%, acontece a divulgação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), pelo IBGE.

No que tange à Bahia, os resultados apresentados são de estarrecer, embora, mais que os dados percentuais, importe saber o que tais números tendem a revelar de crueza na sua face social real. Sim, porque mesmo por um fio há vida por trás dessa impactante aferição da economia, a exibir crescente e inaceitável desigualdade.

Aliás, do mesmo modo que por trás (ou à frente, se preferir) do PIB e seu renovado cenário de desemprego e ante as graves condições ambientais subtraídas. No Brasil, 6 pessoas têm mais riqueza acumulada do que a metade mais pobre da população, 105 milhões de pessoas. O PIB naturalmente não mede isso: mede o fluxo, não o estoque.

Vale ressaltar que, no caso da PNAD Contínua, os valores dos rendimentos domiciliares per capita, para o Brasil e unidades da Federação, são enviados pelo IBGE ao Tribunal de Contas da União (TCU) e usados como um dos critérios de rateio do Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal (FPE), de acordo com a Lei Complementar 143/2013.


Sem lugar ao Sol, renda familiar na Bahia caiu seis posições no ranking nacional
(Foto: Albenísio Fonseca)

CRISE É DE GESTÃO DA ECONOMIA

Na Bahia, os dados referentes à PNAD Contínua 2018, apresentados pelo IBGE no último dia 27 de fevereiro demonstram o quanto a crise, decorrente da gestão na economia local, fica patente não só no âmbito nacional, mas com relação à verificada na série histórica do próprio estado.

Em 2018, o rendimento domiciliar per capita médio do país (soma dos rendimentos de todas as fontes de cada morador do domicílio dividido pelo total de moradores) ficou em R$ 1.373. Na Bahia, esse rendimento foi de R$ 841. Ou seja, o rendimento domiciliar per capita na Bahia se distanciou bastante da média nacional (R$ 1.268) e se manteve como 1/3 do apurado no Distrito Federal (R$ 2.460), o maior valor entre os estados.

PERDAS DE POSIÇÃO NO NORDESTE

Em relação ao apurado em 2017 (R$ 862, em valores correntes daquele ano), a renda domiciliar per capita média no estado teve uma queda nominal de 2,4%. Com isso, a Bahia caiu seis posições no ranking nacional desse indicador, indo do 11º rendimento domiciliar per capita mais baixo em 2017 para o 5º mais baixo no ano passado, superando apenas os estados de Piauí (R$ 817), Amazonas (R$ 791), Alagoas (R$ 714) e Maranhão (R$ 605), que tinha o menor valor do país.

A Bahia também perdeu posições em relação aos demais estados do Nordeste. Em 2017 tinha o 2º maior rendimento domiciliar per capita da região, menor somente que o da Paraíba. No ano passado caiu para a 6ª posição, continuando abaixo da Paraíba (R$ 898) e tendo sido superado por Ceará (R$ 855), Pernambuco (R$ 871), Sergipe (R$ 906) e Rio Grande do Norte (R$ 956), que tem o maior valor da região.

ABAIXO DO SALÁRIO MÍNIMO

Também aumentou a diferença entre a renda domiciliar per capita média baiana e a média brasileira, de -32,0% em 2017 para -38,7% em 2018. No ano passado, o rendimento domiciliar per capita médio na Bahia se manteve como 1/3 do valor do Distrito Federal, que tem a maior renda domiciliar per capita do país (R$ 2.460).

O valor da renda domiciliar per capita no estado, no ano passado (R$ 841), manteve-se abaixo do salário mínimo (R$ 954) e recuou 2,4%, em termos nominais, com relação a 2017, quando havia sido apurada em R$ 862.

Com isso, a Bahia caiu no ranking nacional do rendimento domiciliar per capita, passando de 11º menor valor, em 2017, para o 5º menor valor em 2018, acima apenas de Piauí (R$ 817), Amazonas (R$ 791), Alagoas (R$ 714) e Maranhão (R$ 605), que tinha o rendimento mais baixo do país. Vide a tabela:

A Bahia também perdeu posições em relação aos demais estados do Nordeste, do 2º maior rendimento domiciliar per capita em 2017 para o 6º em 2018. Além da Bahia, apenas outras 4 das 27 unidades da Federação tiveram queda nominal no rendimento médio domiciliar per capita entre 2017 e 2018. O Distrito Federal teve a variação mais negativa (-3,5%).

Mas é Carnaval e ninguém parece disposto a acordar para ver o sentido caótico que contempla a expressão “carnavalização da economia”.