Todos os caminhos levam à Festa de Itapuã

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Cortejo de baianas atravessa a Orla entre Placafor e Itapuã, em evento centenário

 

 Albenísio Fonseca

Nenhuma descrição de foto disponível.Todos os caminhos levam à Itapuã nesta quinta-feira (21.02), onde acontece a 114ª edição da Festa do bairro. A expectativa é de que 400 mil pessoas participem do evento. O festejo, cujo ápice é a lavagem do adro da Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Itapuã, tem início previsto para às 11h30, quando dezenas de baianas, animadas pelo ritmo de alabês e percussionistas do afoxé Korin Nagô, são seguidas por carro alegórico conduzindo D. Ilma Nascimento e Geraldo Araújo, o Geraldão, homenageados do bairro este ano.  Os milhares de foliões e turistas se deslocam junto ao cortejo, desde Placafor até Itapuã, aliando fé e ludicidade. A festividade, em 2019, será encerrada com a participação do bloco afro Ilê Aiyê.

Marcante, também, são as alegorias que compõem o festejo. Uma verdadeira fauna adorna o cortejo com a baleia jubarte, o polvo gigante e o caramuru, criações do artista plástico Ives Quaglia.  Este ano ele introduz o “boipuã”, em alusão ao boi nelore que fugiu do Parque de Exposições, em novembro de 2018, durante a Fenagro-Feira Nacional de Agropecuária e acabou se afogando na praia de Stella Maris. Segundo o artista, a  nova alegoria simboliza a “valentia indomável da liberdade”. Há, ainda, a jibóia, o sariguê e a baleia rosa.

 

BANDO ANUNCIADOR E LAVAGEM NATIVA ABREM A FESTA

A animação do festejo, que dura cinco dias, tem programação iniciada por volta das 23h de hoje (20.02) e começa nas primeiras horas da madrugada. Sob organização da professora Ronilda dos Santos, o Bando Anunciador – uma banda de sopro e percussão – percorre ruas do bairro com centenas de foliões, convocando a comunidade para a festividade.

Uma alvorada de fogos celebra a abertura das comemorações e, sob o nascer do Sol, acontece a “Lavagem Nativa” do adro da igreja de N.Sra. da Conceição de Itapuã, organizada pelos filhos de D. Niçu (que promoveu a iniciativa há 30 anos), seguida de um concorrido samba de roda e de “café da manhã africano”, oferecido em congraçamento comunitário. Uma missa é celebrada às 7h. Depois, a igreja permanecerá fechada por conta do movimento.

Após a tradicional lavagem, no início da tarde, há uma recepção de confraternização aos participantes, com uma feijoada para as baianas e convidados, demonstrando a “magnitude e relevância da festa”, segundo os dirigentes da AMI-Associação dos Moradores de Itapuã, Raimundo Bujão e Ives Quaglia. Na segunda-feira (25), às 16h, na Enseadinha (Praia da Sereia), a festividade é encerrada, há 33 anos, com “o mais belo dos presentes à Iemanjá”, organizado por canoeiros e pela mãe pequena Gildete dos Santos.

A imagem pode conter: 2 pessoas, incluindo Bisa Almeida, pessoas sorrindo, pessoas em pé e atividades ao ar livrePorta-bandeira e mestre-sala da Escola de Samba Unidos de Itapuã

PROGRAMAÇÃO DE DESFILE DOS BLOCOS

O desfile prossegue, por toda a tarde, com cerca de 30 grupos de samba, o bloco afro Malê Debale, que este ano comemora 40 anos de fundação e outras manifestações típicas do lugar, em contagiante animação a mobilizar uma multidão por todo esse trecho da Orla da cidade. A festa de Itapuã é a última do calendário de eventos populares de Salvador antes do Carnaval. Veja a programação por horários e entidades:

12:00 GALERA DO MAR
12:15 ESCOLA DE SAMBA UNIDOS DE ITAPUÃ
12:30 ARRASTÃO DOS PEIXES
12:45 GALO DE BIDEIRA
13:00 KITUT COM CERVEJA
13:15 SAMBABELEZA
13:30 BLOCO ENCONTROS DAS AGUAS
13:45 ARRASTÃO DO BONITOL
14:00 BLOCO DOS CORNOS
14:15 BLOCO CHUVA DE GELO
14:30 CARA DE GATINHO & BANDA ZUMBADA  (participação Xexéu)
14:45 ECOAR DOS TAMBORES
15:00 AS SANTINHAS
15:15 BLOCO “JACUTINGA”
15:30 MALÊ DEBALÊ
15:45 CHABISC
16:00 GINGA REMANDIOLA
16:15 AREMPEPUÃ
16:30 BLOCO NEM TE CONTO
16:45 AS GANHADEIRAS DE ITAPUÃ
17:00 ARRASTÃO PODEPÁ
17:15 PUXADA ITAPUÂZEIRA

 

A imagem pode conter: 7 pessoas, pessoas sorrindo, pessoas em pé, casamento e atividades ao ar livreFesta de Itapuã é a única da cidade que se mantém
organizada e executada pela própria comunidade


ESTRUTURA E FALTA DE APOIO

A estrutura para a realização do evento conta com equipamentos e efetivos da PM, Corpo de Bombeiros, Policia Civil, Transalvador e postos para atendimento de emergência, além das barracas de bebidas e comércio ambulante, no trecho entre a Sereia e a praça Dorival Caymmi. O transito, conforme acordado com a Transalvador junto os organizadores, será interditado para o acesso ao bairro, pela Orla, já na quarta-feira, à noite, com desvio para a avenida Paralela pela avenida Pinto de Aguiar. O transito volta à normalidade a partir das 18h de quinta-feira.

De acordo com os organizadores, “a festividade proporciona, além de prazer, alegria e manutenção de uma tradição centenária, um importante legado para a melhoria das condições de vida dos moradores e frequentadores do bairro, na medida em que mobiliza a gestão municipal a viabilizar operações de pavimentação, mais iluminação de ruas e coleta de lixo e entulhos, principalmente nas áreas de trajeto dos cortejos e seus entornos”.

A Festa de Itapuã é a única da cidade que se mantém organizada e executada pela própria comunidade. A falta de apoio da Prefeitura, através da Saltur, levou a AMI a requerer mediação do Ministério Público. Somente em segunda audiência, a Municipalidade admitiu um apoio da ordem de R$ 15 mil, frente a um orçamento protocolado de R$ 108 mil, o que levou os organizadores do festejo a recusar a oferta. Segundo eles, “desde 2012 a comunidade encontra resistência do poder público em dar apoio à tradição centenária, o que já gerou diversos protestos, com manifestações públicas, inclusive por calote no pagamento”.