Festa de Itapuã 2014

Foto: Albenísio Fonseca/2013
Cortejo das baianas no trajeto de Placafor até à Igreja em Itapuã

Todos os caminhos levam

à Festa de Itapuã 

Todos os caminhos levam à Itapuã nesta quinta-feira (20.02), onde acontece a 109ª edição da Festa do bairro. A expectativa, em ano de eleição, é que o evento reúna grande parte de candidatos à Assembleia Legislativa, Câmara Federal, Senado e mesmo ao Executivo estadual, antecipando o calendário eleitoral.
A festa, cujo ápice é a lavagem do adro da Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Itapuã, tem início previsto para às 11h30, quando dezenas de baianas, animadas pelo ritmo de alabês e percussionistas do afoxé Korin Nagô, seguidas por carro alegórico com os homenageados do bairro, centenas de foliões e turistas, se deslocam em cortejo, desde Placafor até Itapuã, aliando fé e ludicidade.
O desfile prossegue, por quase toda a tarde, com dezenas de grupos de samba, o bloco afro Malê Debale, que este ano comemora 35 anos de fundação e outras manifestações típicas do lugar, em contagiante animação a mobilizar uma multidão por todo esse trecho da Orla da cidade. A festa de Itapuã é a última do calendário de eventos populares de Salvador antes do Carnaval.
A animação local, contudo, começa nas primeiras horas da madrugada. Sob organização da professora Ronilda dos Santos, o Bando Anunciador – uma banda de sopro e percussão –  percorre  ruas do bairro com cerca de 500 foliões, convocando a comunidade para a festividade. Uma alvorada de fogos marca a abertura das comemorações e, sob o nascer do Sol, acontece a “lavagem nativa” do adro da igreja de N.Sra. da Conceição de Itapuã, organizada pelos filhos de D. Niçu (que promoveu a iniciativa há 25 anos), seguida de um concorrido samba de roda e de “café da manhã africano”, oferecido em congraçamento comunitário.
Após a tradicional lavagem, à tarde, há uma recepção de confraternização aos participantes, com uma feijoada para as baianas e convidados, demonstrando a “magnitude e relevância da festa”. Na segunda-feira (24), às 16h, na Enseadinha (Praia da Sereia), a festividade é encerrada, há 28 anos, com “o mais belo dos presentes à Iemanjá”, organizado por canoeiros e pela mãe pequena Gildete dos Santos.
Toda a estrutura para a realização do evento já está instalada e conta com equipamentos e efetivos da PM, Corpo de Bombeiros, Policia Civil, Transalvador e postos para atendimento de emergência, além das barracas de bebidas e comércio ambulante, no trecho entre a Sereia e a praça Dorival Caymmi. O transito, conforme acordado com a Transalvador junto os organizadores, será interditado para o acesso ao bairro, pela Orla, já na quarta-feira, à noite, com desvio para a avenida Paralela pela avenida Pinto de Aguiar. O transito volta à normalidade a partir das 16h de quinta-feira.
A Festa de Itapuã é organizada e executada pela própria comunidade com apoio da Prefeitura, através da Saltur.  A festividade proporciona, além de prazer, alegria e manutenção de uma tradição centenária, importante legado para a melhoria das condições de vida dos moradores e frequentadores do bairro, na medida em que mobiliza a gestão municipal a viabilizar operações de pavimentação, mais iluminação de ruas e coleta de lixo e entulhos, principalmente na áreas de trajeto dos cortejos e seus entornos.
Além do cantor e compositor Dorival Caymmi, cujo centenário de nascimento transcorre esse ano, a Festa homenageia o principal carnavalesco do bairro, Gilberto Menezes de Almeida (“seo” Menezes), 82 anos, e a ialorixá bantu, Zulmira de Santana França, 79 anos, que desfilarão em carro alegórico no formato de um saveiro.

Mercado de Itapuã

Foto: Albenísio FonsecafotoRaimundo Bujão, da Frente Comunitária de Itapuã, revelou que o mercado está sobre um lençol freático

João Leão contraria avaliação

da Codesal e promete

reabrir Mercado de Itapuã

Albenísio Fonseca

Durante encontro com permissionários do Mercado Municipal de Itapoã, representantes da comunidade e os vereadores Aladilce Souza (PCdoB) e Moisés Rocha (PT), na manhã desta sexta-feira (02.03), o chefe da Casa Civil da Prefeitura de Salvador, João Leão, prometeu aos permissionários do Mercado Municipal de Itapuã – que teve uma laje despencada na última terça-feira, atingido gravemente quatro pessoas – uma reforma parcial no equipamento e reabertura já nesta segunda-feira. “Ele ordenou que os comerciantes dos boxes da área a ser reformada dividam espaço com os dos boxes que estariam sob condições seguras” de trabalho, conforme a comerciante Quênia Rocha, do restaurante Boa Esperança.
Uma mera reforma e a reabertura do mercado contrariam avaliações da Coordenação de Defesa Civil (Codesal), cujo representante presente ao encontro chegou a defender, junto ao próprio João Leão, a necessidade da demolição de toda a estrutura de pré moldados, fruto de projeto do arquiteto Lelé Filgueiras.  O chefe da Casa Civil, contudo, rechaçou a avaliação técnica.
A divergência foi gravada por cinegrafista que documentava o evento, ao qual Leão solicitou, em seguida, que desligasse a Câmera. Na avaliação do técnico, “caso semelhante ocorreu na Boca do Rio e o reparo não deu certo”. À intenção de Leão de “construir uma arcada” no local desabado, o técnico assegurou que “qualquer reforma que implique em pressão sobre as demais vigas e lajes de concreto, cujos vergalhões também estariam corroídos pela ação do salitre, levará a novos desabamentos”.
Inaugurado em 1990, o mercado teve questionada na Justiça a reforma efetuada em 2008 , mas a ação foi arquivada. De forma surpreendente, João Leão disse “não estar ali representando a Casa Civil, mas em caráter pessoal”. O posicionamento foi questionado pela vereadora Aladilce Souza. Segundo ela, por mais que houvesse a disposição de solidariedade com os comerciantes, as vítimas do desabamento e familiares, os representantes do Executivo não poderiam se eximir da responsabilidade pela manutenção do equipamento público. Aladilce defendeu, inclusive, que o poder público “assuma os encargos referentes aos dispêndios com os tratamentos médicos cabíveis” aos vitimados pelo desabamento da laje.
Representante da Frente Comunitária e Parlamentar Mista em Defesa de Itapuã, o filósofo Raimundo Bujão, defendeu a “demolição do mercado e a construção de um novo equipamento, compatível com a importância do bairro”. Bujão revelou que o mercado foi edificado sobre um lençol freático, o que tem acarretado permanentes inundações durante os períodos de chuva. Ele apontou também o “curto prazo de validade desse tipo de edificação”, que requer manutenção constante. Já o ouvidor da Prefeitura, Waldenor Cardoso, defendeu o “caráter pessoal” da presença de João Leão no encontro, “por não ser pertinente à sua pasta”, e criticou a “ausência de representantes do Estado”, ao qual, também surpreendentemente, imputou “responsabilidade pela manutenção do equipamento”.
O encontro, ocorrido em área do próprio mercado sob interdição, foi provocado após a ida de permissionários à Casa Civil na quinta-feira, 48 horas após o desabamento da laje, em razão de nenhuma autoridade pública ter comparecido ao local, exceto técnicos da Codesal que interditaram o acesso ao equipamento. Familiares das vitimas queixaram-se da falta de solidariedade dos representantes da Prefeitura. Impedidos de comercializar, alguns permissionários dos boxes do mercado comemoraram com fogos de artifício, logo após o término da reunião, o anúncio do chefe da Casa Civil de entrega do equipamento já na próxima segunda-feira.
Os vereadores Aladilce Souza e Moisés Rocha revelaram estar convocando uma audiência pública, a ser realizada na próxima semana em espaço da comunidade, no próprio bairro. A vereadora adiantou que encaminhará ofício ao Conselho Regional de Engenharia (CREA), através da Comissão de Planejamento da Câmara, para que proceda uma avaliação sobre as reais condições da infra estrutura do mercado municipal.
O desabamento da laje ocorreu por volta das 13h30 de terça-feira (28). Com perfuração do crânio, a adolescente Alice Francine Santos Furmanek, 13, vítima mais grave do desabamento, permanece internada na UTI do Hospital Geral do Estado.