Da bienal ao caos. Ou, deixe para amanhã, você está no MAM!

 

                                                                                                                   Fotos: Albenísio Fonseca
Parque das Esculturas, como o Solar, permanece relegado ao abandono e interditado ao público

 


Em plena Baía de Todos os Santos, também exangue, espaços nobres do MAM estão à revelia

Equipamento construído no século XVI, de fundamental importância histórica, turística e cultural para Salvador, o Solar do Unhão, na Avenida Contorno, onde está instalado o MAM-Museu de Arte Moderna da Bahia, permanece sob obras de reforma que se arrastam há quase cinco anos. Os trabalhos deveriam ter sido concluídos para a Copa das Confederações, em 2013. Foram adiados para a Copa do Mundo, um ano depois, mas atravessam os governo Jaques Wagner e Rui Costa, em injustificável protelamento, exceto pelo total desinteresse do Executivo Estadual.

Não há como deixar de reconhecer a relevância do equipamento. Mas o estado, ou seu síndico de plantão, demonstram abdicar da solução de continuidade da reforma, como, do mesmo modo, levou ao desabamento do Centro de Convenções da Bahia e mantém em abandono os parques metropolitanos do Abaeté e de Pitauçu. O descaso, além de tolher eventos como a Bienal, ressuscitada e rematada, configura atitude na qual o que sobressai é apenas um estado de caos, à revelia do interesse público e mesmo para com os trades turístico e cultural.

É intransferível a responsabilidade do governo por esta inaceitável condição à qual o Museu foi relegado. Dirigido por cinco gestores que se sucederam nos últimos 11 anos, às expensas da Secult-Secretaria Estadual de Cultura, é correto afirmar que “o MAM e o Solar se sobrepõem, em importância, até mesmo ao TCA-Teatro Castro Alves, guardadas as diferenças que demarcam as respectivas atividades desse dois significativos espaços”, como estipula o diretor Zivé Giudice, reconduzido recentemente ao cargo.

A reforma no Museu está paralisada há 10 meses e não há perspectiva de quando será retomada. A alegada paupéria das finanças estaduais não absolve o executivo, à medida que se trata de obra prevista em orçamento. Chegou-se a acenar com a liberação de R$ 7,7 milhões, mas ficamos na “conta dos 7”. A duras penas e de forma extremamente precária, permanecem em funcionamento o Salão do Solar, cujo mezanino, também criado pela arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi, em 1963, está interditado, dada a quantidade de goteiras; o pequeno salão na parte inferior do equipamento, a Capela e o Galpão das Oficinas de Arte, crucial para o viés didático promovido há quase 40 anos para jovens, crianças e adultos.

À frente da Baía de Todos os Santos, também exangue, apesar da disponibilidade de recursos do Bird, na ordem dos US$ 68 milhões, outro espaço nobre da instituição, o Parque das Esculturas – do mesmo modo interditado ao público pela paralisação dos serviços da empreiteira, contratada sob licitação mas sem obter o repasse de recursos – é tratado sem a responsabilidade que se espera e exige-se dos governos para com o patrimônio, ainda que contemple painéis, esculturas e instalações de artistas, não só baianos, mas nacionais e internacionais.

Os extraordinários acervos de artes visuais e bibliotecário de que o MAM é detentor, por sua vez, estão relegados ao improviso de um canto qualquer, vale dizer, sem que se possa observar o cuidado das mínimas condições de preservação, a revelar forma indigna do compromisso público para com a Arte, a Cultura e a circunscrever, no limite da tolerância, um “território sem identidade”.

Aliás, convertido pelo Ipac em palco para espetáculos musicais ensurdecedores, dado o volume de decibéis e sem qualquer diálogo com o mundo das artes visuais, os shows na área externa, parecem obedecer, como e diria de um inaudível paradoxo, ao despropósito de comprometer as estruturas do já combalido Solar. Chame o síndico, ou deixe para amanhã, você está no MAM!


Situação do píer permanece sem solução

 

 

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Nova concepção de museu

A ministra da Cultura, Martha Suplicy, durante visita ao Muncab, acompanhada por José Carlos Capinan 

Muncab, uma nova

concepção de museu

Albenísio Fonseca

Uma nova concepção na atuação dos museus vem sendo adotada, já há alguns anos, tanto no Brasil quanto em diversos países.  Dentre as intervenções propostas, destaque-se a que propõe “demolir” a ideia de divisão do mundo da cultura em camadas, assim como a oposição abrupta entre o tradicional e o moderno, o culto, o popular e o massivo. Os museus passam por significativo processo de transformação oriundo de diversos fatores, entre eles, a concorrência com outros equipamentos culturais. As grandes transformações em curso nos museus refletem elementos das novas demandas sociais decorrente, dentre outras, da grande presença das tecnologias comunicacionais no cotidiano.

As novas tecnologias de comunicação revolucionam nosso cotidiano e impõem aos museus a aplicação de um discurso de imagens, sons, luz e cores. A necessidade de novas posturas na concepção de museu, mais dialogadas, representa um desafio de criação e de ousadia na construção de novos espaços de aprendizagem, sejam formais, não-formais ou informais. Os museus, ainda que em complementaridade aos espaços formais de ensino, promovem hoje uma aprendizagem social do conhecimento. Exatamente pelo fato de o museu não ser a sala de aula, ele requer olhares, novos ou velhos, de pesquisa sobre as práticas educativas que pode propor. Enquanto local de patrimônio, de coleções de objetos, de artefatos e instância de comunicação, os museus devem converter-se, também, em local de lazer, de prazer, de sedução, de encantamento, de reflexão e busca de conhecimentos.

Em oposição à instituição elitista e estática que se estendeu desde o século XVII, o novo museu deve abrir suas portas ao público e conquistar a rua e todos os espaços sociais de encontro e trocas de conhecimento. O museu deixa de ser um “mero” local de memória para se tornar referência na paisagem e no convívio urbanos, com oferta de atrativos que proporcionam interação e mobilidade, visando, com isto, não só atrair e ampliar público, quanto fidelizar a presença desse público nos espaços e eventos programados.

O Museu Nacional da Cultura Afro-brasileira torna-se, portanto, um local que, ao construir e consolidar sua identidade com autonomia, não apenas guarda sua vocação acadêmica, mas institui um ambiente educativo informal, com prestação de serviços culturais e de lazer aos cidadãos de diferentes horizontes culturais.

Além da educação patrimonial e suas vinculações com manifestações histórico-culturais de matriz afro-brasileira, o novo museu se propõe a viabilizar funções sociais, por si só interativas, em intercâmbio com outras linguagens, disponibilizando espaços para promoção de espetáculos musicais, cênicos e de dança, seminários, lançamentos literários, além da oferta de cursos, sem abdicar do caráter expositor e com um lounge para a oferta de Café e lanches ou petiscos típicos da culinária afro-brasileira. Promoverá, desse modo, o acesso e a interação na convergência de encontros e saberes em um universo aberto para a degustação de sabores e transito do passado, do presente e do futuro.

Em meio à nova concepção dos espaços internos e externos do museu, em desenvolvimento neste período de mutações e rupturas, o projeto para este nova década do milênio se define na valorização do multiculturalismo, das múltiplas inteligências e conhecimentos. O novo “estatuto” do Muncab, portanto, passa a conferir significado aos encontros de olhares e busca de experiências sensíveis entre e para o seu público, deixando a definição do atributo singular para converter-se em um território plural, em suma, um complexo de demanda e construção cultural.

Ao considerarmos a dimensão de Salvador – enquanto capital brasileira com maior contingente populacional negro fora da África – é importante destacar a existência de outros atrativos culturais de caráter étnico na cidade, concorrentes por estas demandas de público, local e turístico, em transito. Para fazer frente a esta concorrência, torna-se imprescindível estabelecer uma agenda positiva que viabilize programações dinâmicas, com eventos capazes de sensibilizar o interesse e a proporcionar fórum de debates.

Entre as ações capazes de consolidar este modelo deve-se vislumbrar programação de filmes tendo o negro como protagonista; espetáculos de Dança, com a presença dos inúmeros grupos existentes na cidade e cuja maioria de integrantes é negra; peças teatrais, sem custo de pauta, para espetáculos que priorizem aspectos da cultura negra. Musicais: shows de grupos com viés étnico, bate-papo musical, exposição de instrumentos musicais de origem negra; cursos sobre a história da cidade e o caráter antropológico da sua composição étnica.

Ressalte-se, além do mais, a permanente exposição do acervo do Muncab e a promoção de cursos, oficinas e mostras de artes visuais, de artesanatos, instrumentos musicais, entre outros passíveis de convênio. Vale mencionar, ainda, o propósito de estimular a criatividade, sensibilidade e percepção sonoro-musical, com a promoção de cursos para confecção e toque de instrumentos de percussão (inclusive com materiais reciclados), promovendo a inserção social de jovens moradores do Centro Antigo e de outros bairros de Salvador.

A localização estratégica do Museu Nacional da Cultura Afro Brasileira possibilita, de modo peculiar, a facilidade para a atração de turistas em visita ao Centro Histórico de Salvador e considera o crescente número de desembarques na cidade com a ampliação da capacidade do porto e frente às realizações da 20ª Copa do Mundo de Futebol. Nesse sentido, viabilizamos a produção e distribuição de prospectos contendo informações sobre o espaço, acervo, programações e mapa localizador.